Nem todos os
Natais serão iguais
(Conto de Maria Petronilho)

Havia uma menina que não sabia
a data certa do Natal.
Sabia, pelo frio, que era no Inverno.
Sabia, pelos cânticos na missa, qual era a época.
Vivia numa casa deserta de ternura.
Ao serão, de vez em quando, fervia-se azeite num grande tacho de cobre luzente,
colocado sobre a tripeça de ferro, nas brasas da lareira.
Alguém tendia a massa das filhós, sobre um pano no joelho e as deitava na
fervura, enquanto outra pessoa as voltava.

A si davam-lhe, por simpatia, a honra de as polvilhar com a mistura de açúcar e
canela.
Árvores, só as que cresciam lá
fora, agora de folhinhas recolhidas.
Por vezes a neve caía, recobrindo tudo de mágico encantamento.
A menina olhava o céu, que a deslumbrava! Parecia que descia, rodopiando do
azul, em fiapos levezinhos e brancos.
Deitava a língua de fora e, sorrindo, estremecia, num arrepio delicioso,
bebendo a água pura que se lhe desfazia na boca.
Nas mãos ambas, apanhava pedaços de neve, que tentava guardar consigo, para
sempre prolongar esse momento mágico.
Levava-a para dentro de casa, resguardava-a. Era tão linda!
Porém, tão pouco durava! Logo desaparecia e a menina chorava lágrimas de pura
inocência.

Nunca ninguém lhe dissera que o Pai Natal existia, e aos meninos visitava.
Dizia-se que o Menino Jesus deixava prendas no sapatinho... mas ela nem o
sapato deixava, no limiar da borralha...
A menina só queria que o frio se fosse embora e viesse a primavera!

Lisboa, 2/12/2003
Recebemos esta mensagem
por e-mail, através do grupo 1Bom dia.
Conheça esse grupo visitando o endereço
www.1bomdia.tk
Caso deseje receber três e-mails do grupo por dia, envie
um e-mail para
1bom_dia-subscribe@yahoogrupos.com.br