Direito à Felicidade

(Vera Cristina Moreira Salles, Curitiba/ PR)


Enquanto os jogadores recebem carros, barras de ouro, dólares, pompas e glórias pela conquista da taça, os portadores de deficiência lutam por um ajustamento mais condigno junto á comunidade, sobrevivendo de contribuições módicas e doações para a superação das próprias dificuldades. Penso que a Seleção deveria dividir com as entidades assistenciais e beneficentes- que relevantes serviços prestam a nossa classe - um pouco dos prêmios recebidos. Assim, o cotidiano das associações teria também o sabor inigualável da conquista. Lembro, ainda, de pedir ao Brasil para jamais esquecer que os verdadeiros "tetras" (a maioria) estão vegetando numa cama, excluídos do mundo, sem poder econômico para se tratarem com neurologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros profissionais. Acho que, se não há o respeito e compreensão por parte da sociedade, é porque falta conhecer o outro lado desta gente, que enfrenta qualquer desafio pelo seu direito á felicidade. 

(Vera Cristina Moreira Salles, Curitiba/ PR)

É PRECISO TRABALHAR

Colocar a caneta no papel sempre me trouxe a oportunidade de expor minhas idéias, contar coisas boas e ruins que me aconteceram, ou as que presencio no meu cotidiano. Como sou deficiente física, acabo tendo condições de conhecer um outro lado desta realidade que esta por aí, onde (infelizmente) nem sempre há o respeito e a compreensão por parte da sociedade. Para nós, o cotidiano tem o sabor inigualável da conquista, de metas alcançadas e de objetivos ainda a serem atingidos. É a confirmação de um quase desígnio: o de que apenas conseguiremos "MARCAR PRESENÇA" com luta. Com o "mexa-se!", os desafios que enfrentamos. Aliás, tem uma relação profunda com a conscientização da comunidade do nosso valor. Como pessoa e, sobretudo, como profissional. Nada irá mudar, se não arregaçarmos as mangas e, enfrentamos, com decisão, qualquer teste que se apresente diante de nós - desde um simples emprego até a conquista de um coração.